segunda-feira, 26 de novembro de 2012

complexo de laranja




sobre encontrar-se é este poema:
não há este que não pena
quando se trata de amar.

é com infelicidade que falamos
ao lembrar, nem sempre largamos
infeliz costume como este, apenas
lembrar com pena daqueles que amamos.

sentimento não esvai assim tão simples,
coração não é de plástico.
                            [ mas derrete que dá nó
eu, tantas vezes disse que era pó...
estou sempre "acimentado".

tantas vezes me descrevi: coitado!
"antes incompleto do que só".
hoje digo com prazer:
antes só que incompleto;
assim há desejo incerto,
vontade de se completar.

complexo de laranja
te descasca,
quando menos esperar
estará só o bagaço.
a metade não existe,
as sementes escondidas,
você faca amolada:
tênue entre o ferir e o amar.

domingo, 4 de novembro de 2012

arco-íris

"try this trick and spin it, yeah!"



acho que me perdi
nesses olhos de horizonte
em fronte, não há quem os afronte
eu não temo, a propósito

um teto azul
motor constante
eu, parado no instante
eram ladrilhos, sob um afago cru

reversamente sereia,
encantei-me

as palavras com cuidado
o reconhecimento demarcado
o silêncio precioso
continuarão a perdurar

no final do arco-íris dos seus olhos
eu vejo o tesouro outrora guardado
além do vidro embaçado
com sua respiração a me levar

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

rubra

"shine eye gal is a trouble to a man"


costas na cabeça:
cordas, parecem sair de sua mente,
me acordam para a nova realidade
                     [  the age of aquarius

não mentes, não teme.
é de sensibilidade atroz,
tal qual reflexo, revela veloz
sem dó de mim ou de si... não vê nenhum
sente, só.

imagens turvas, tarjas,
a mente arremessada ante as frontes calvas,
diante às costas rubras,
escrita em veia alta.

as sensações descritas com afinco,
a beleza na ingenuidade emocional,
queimando as ideias, fascinando o oráculo...
endireitando pensamentos lindamente tortos
que direcionam o espetáculo.

eu,
no processo.
você, retrocesso?

deixe-me viver um pouco de progresso,
deixe-me mudar o seu céu sem abscesso,
deixe-me mostrar frente a frente o meu verso:

deixe-me ser logo o avesso imperfeito de seu inverso universo.