terça-feira, 23 de abril de 2013

Amálgama



a felicidade anda de muletas...
e é assim que tem que ser!

duas pernas por si só sem defeitos
hão de trazer alguma inveja
e é melhor disfarçar

anda por esmolas
horas quistas, horas dadas
eu, enquanto alquimista
empiricamente reparo
nas falas
displicentemente soltas
nos sorrisos mola
nos momentos gargalhadas
na solitude ansiada das multidões amalgamadas

o homem é o próprio ouroboros do homem
vivendo em sociedade
os ouroboros e ouroboras
realizando manobras
todos se dão bem
ora bolas

sábado, 20 de abril de 2013

Filhos de Eva



'degradados filhos de Eva'
é o que ouço daquela oração
                    [ não é o que escuto naquela canção

tão bonitas as maçãs dos rostos
deitadas sobre o pomo de Adão
por enquanto são só sentidos
cabelo encharcado no suor molho

olho
ostentado ante os cachos flores
os beijos amores
amora, seu olhar distante
e eu perto

peito
seu soutien cubo mágico
não difícil de resolver
gastaria horas tentando
não te despir pra despir sua mente
seduzir-te, como Wando
em uma loucura interna

perna
pra que te quero
andar nessa estrada
que grande paradoxo
seu aparelho de andar
me movendo sem sair do lugar

teu corpo antes da mente
porque é o natural que me é apresentado
eu já disse,

esse instrumento que sente
e que é vassalo da mente
pensa demais
e eu passo

(sem caô, sem migué)
                        [ de Caê
assim que eu te vi
percebi que ia dar

segunda-feira, 15 de abril de 2013

se oriente



a sociedade contemporânea
composta de soldados mil
velhos de mentes jovens
marchando pra puta que o pariu

'espero que não seja em vão'

mascarando a vontade
escondendo o instinto
labirinteando o que é do animal
para que satisfaça o palato
humano

assim ocorre nas mais diversas esferas
a cultura é ocidental
se oriente
pois é lá que nasce gente
sem capricho megalomaníaco
pois é lá que comem feras

a sociedade é uma vaca gorda
com grandes tetas
mamadas por filhotes de leão

quem tentar mamar "é morte"
porque a opinião, irmão: é o chicote