terça-feira, 28 de maio de 2013

meeiro

as coisas acontecem
você não sabe o seu lugar
você só agradece
por estar aí

ou você reclama
por estar ou não estar

esforço, doce tempero
o destino é o feijão
que sem gosto é meeiro
e no sabor come com as mãos

segunda-feira, 27 de maio de 2013

casa

faça do tempo minha casa
eu quero morar lá
pra manipular
pra pintar a parede
pra jogar um tapete
poder me deitar

pra não ter riqueza
pratos sobre a mesa
risadas no jantar

quero morar no tempo
pra não vê-lo passar
pra existir somente
e não me preocupar

lá na rua das horas
tem a minha casa
também tem uma igreja
onde eu paro pra rezar

prezo muito a liberdade
mas se bobear eu caso!
prezo muito a pouca idade
mas prezo mais o meu acaso

badalar

'se eu te escondo a verdade
baby, é pra te proteger da solidão'

queria que essa frase fosse minha
irmão
(geralmente sou ciumento quanto à
percepção)

eu sei que no final
só lhe restam
as garras
entenda,
se eu sigo tua prosa
é pra te levantar do chão

pra entrar nesse teu cosmo
sem romantismo, nem paixão
para ser o seu amigo
andar contigo de mão
sem lhe ouvir dizer
que isso tudo é viadagem

pois não importa a forma
a forma física
a forma à fala
não me importa nada
senão o olhar a badalar
(foi o que ouvi nessa noite)

quem não me conhece
que me compre
pois eu vou continuar
em relativa distância

somos grandes amigos 
sem ganância entre nós
somos os melhores amigos
nesse imenso jardim de infância

domingo, 26 de maio de 2013

queda


cartas postas sobre a mesa
(e é carta pra baralho)
a visão do assoalho
não me causa mais tristeza
o meu corpo vai primeiro
pra rolar uma surpresa

o nosso corpo é idiota
tadinho, tem que cuidar
a mente sempre disposta
também bate
e eu aqui, a separar
tem que saber o lugar de cada um
a alma é a riqueza que temos
é preciso inocular

minha mente não é arte
é matéria-prima dela
a mente é Barsa, primavera
e o corpo poesia guiando-nos verão
mostrando onde é que feria
nesse mapa cicatriz

vivamos num corpo seguro
com a mente por um triz
saiamos de cima do muro
porque a queda nos faz feliz

brasil


eu uso uma arma contra
a efusividade desnecessária
porque às vezes realmente se precisa
pra justificar o alto-astral

não é o caso do cotidiano

no cotidiano ela não cabe
porque o exagero na rotina
desespera
já num espaço de tempo grande
a gente vive de pouquinho
e espera

tem que saber dosar
viver balança
nas horas vagas
ser sutil
e nas horas cheias
brasil



quem nos vê de longe
pouco sabe
o que se esconde
não é especial ou privilégio
meu ou de qualquer um

essa necessidade
de saber até onde
é você no outro
mora em mim

eu percebo, eu respeito
e não tento disfarçar

a curiosidade teima
em descobrir definição
para o que tá na ponta do nariz,
simplesmente vamo' com a pá (de leve)
cavando o x dos corações ao chão

não é para tudo que se tem uma razão
ana, paulo, joão ou pedro ivo
nas expedições (bi)polares e humanas
só necessitamos de um pequeno bom motivo

quinta-feira, 23 de maio de 2013

in hospital

a realidade inóspita
in hospital
eu mórbido
imortal

talião da lei

nem sempre quem
com ferro fere
com ferro será
ferido
proporções aferidas,
(dois pesos, duas medidas)
olho por dente
dente por olho
é mais prudente
deixar de molho

segunda-feira, 13 de maio de 2013

status quo



status quo, se formos considerar
não curto nem comento
a não ser um comentário curto


toda postura exige uma ação

a postura pela postura
lhe cria a imagem rei
mas lhe dá o status peão

domingo, 5 de maio de 2013

ensaio sobre a Liberdade


tu é leve que eu sei
as verdades é que são pesadas
as histórias, entretanto,
recheadas de muitas risadas...
risadas de mil encantos

não me separe desse abraço firme
porque o corpo é sincero
a mente mente e tem horas
que a cama
se revela quase endométrio

eu não queria que fosse um divã

só cabe a nós escolher
se cabem três nesse colchão de casal:
eu, você e a dúvida

tenho certeza que não!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

amor de cinema



veja, que engraçada
a trágica comédia
chamada vida.
esta tal tragédia, doce tragédia
na qual estamos inseridos
de muitas partes e núcleos
muitas cenas e sketchs...
hoje vamos falar do amor

porque sua máscara me diz tristeza
mas dizer não é o bastante
temos muito a encenar
nossA MORte é distante!

um sorriso meu inverte-lhe a cara
e este lhe dispara gargalhadas pierrot
mas a lembrança, repara
(mesmo que sem o calor, às vezes fogo de palha)
tem o mesmo charme de um cinema retrô
e antes que me olhe com cara de arlequim
um beijo na testa, eu te amo
mas é necessário um
FIM