terça-feira, 25 de junho de 2013

Ágora

numa visão astral de mim
eu sou Narciso/Agostinho;
disseco um processo diariamente
de síntese sensorial e sinéstese sentimental

é um processo anencéfalo:
viro corpo de Ícaro
em alma de dédalo

observo à minha volta
pessoas e realidades
paralelas à minha
resumidas e expandidas
aos seus problemas e suas origens

eu e o destino somos velhos chapas
os melhores na arte do recomeço
conhecemos-nos muito bem sem nos ver
convivendo sob mútuos e múltiplos tapas
e entre beijos que não me esqueço

ele sabe do meu zelo
conhece minha história
sabe que quem precisa demais
enxerga de menos
e a essas pessoas, coitadas
eu não posso dar um óculos
pelo menos não agora

porque agora eu vivo Ágora

parece esquisito,
mas é só uma defesa:
contra toda uma tristeza
se faz presente um requisito:

- tem que ser caso
- tem que ser acaso
(caso não seja
nem casa)

- tem que rir da minha cara
- sorrir na minha cara
uma beleza que se dispara
nos dentes, felinos

- tem que desmarcar
- perder cinema
- rasgar poema
e me beijar

mas também tem que ter prazo
pra não tão cedo terminar

segunda-feira, 17 de junho de 2013

moeda

difícil manter a mente aberta
numa sociedade fechada
de conceitos fechados
e principalmente
de fachada

horas sou Fidel
noutras sou Guevara
só que com menos resiliência;

são muitas guerras pra poucos soldados

é apenas uma face da Moeda:
esse maior influente no humor
é o mesmo que constrange
a afluente do amor

somos todos um sistema,
somos todos.
somos problema,
vítimas e heróis.

paisagem

dois gigantes
existem em nós
nem sempre decidimos
qual deles é o de pedra
(eu não sei qual é o de pedro, aliás)

tem o gigante de dentro
e tem o gigante de fora

o gigante de pedra não muda
(esse é ruim)
o outro é de papel

mas para aqueles que fazem muda
e crescem
ambos são de material composto
fibroso
que cola nos outros
como um virus do bem

o gigante de fora ajuda,
mas na visão do todo.
personalidade novesfora
num comportamento "anthropos"

o gigante de dentro inunda
faz a gente esquecer quem é
ou duvidar
e assim a gente evolui aos poucos

a mente, em intermédio
fotografa tudo
faz isso tudo que chamamos de memória

e o que guardamos no fim da história
é como nós utilizamos o foco:
afinal, para um mundo melhor
olho para dentro, ou olho para fora?

quarta-feira, 12 de junho de 2013

maktub

não é o conforto físico
que traz o sorriso
nem sempre este alimenta
alma que tal qual córrego
chora constante e mama de alguém

é o maktub surpresa
(tal qual descrito
[e talvez vivido] ali por Iesa)
que te faz feliz

porque é o que está escrito
que acontece;
mas o que não está escrito
pode acontecer também

aliás, quem é que tá com o lápis na mão?

arte é se esquivar de qualquer expectativa
é ela que traz todo o receio insalubre
é ela que decepciona e causa vontade inativa...
para o bem ou para o mal, nublado ou verão:
maktub

ilha

inversamente proporcional
gramática armadilha
use-a progressivamente
e se transforme numa ilha

é o motivo dos americanos
viverem com o problema de obesidade
é o mal que acomete todos de idade
só que aí com um propósito mais ou menos bom

criptografia
grafia criptonita
superman todos nós
lex luthor saramago

palavras cruzadas
pra fazer pensar
unidas como aço fundido
compostas com o único motivo
de sem vaidade apenas se testar

exercício
de mudar a sociedade
do papo aviãozinho
desses que mãe dá na boca

papo fechado
"papo calado"
papo esquisito que tenha algum sentido
este sim me dá água na boca!

poeminha Maquiavel inspirador para um bom domingo

para tudo há uma linha tênue
é preciso enxergar e perceber
as amarras atenuantes que 
em nós
separam-nos da realidade

pouca diferença há
entre a capacidade e o poder
qualidades estereotipadas
por culpa daqueles que as usam mal

não desista assim tão fácil
desse jogo inimigo
com um pouco de malícia e amigos
você vai onde quiser

oração

muita alegria partilhar
a abstração
a noção
de espaço...

o sonho vivido junto, clichê demasiado
se faz necessário um lugar para ele
nisso tudo que chamamos de amor
e então filtrado, agora é original

porque faço de minha poesia
a minha oração
como se existissem
deuses em mim

trap

manada de ratos:
life's a trap

e agora que caiu
agonize-se
rindo

o mito do chimpanzé
na árvore
me lembra o zé
do albergue
que fuma cigarro de palha
porque não conhece o narguilé

a felicidade é relativa
percepção e aceit-ação
a lágrima e o sorriso
por que tapar com a mão?

língua

olhando por trás
lendo a contracapa
como que em folhas de cânhamo
escrita a verdade chapada

ler entrelinhas nunca foi tão divertido
só que não

é como o aprendizado de línguas
que no começo é novidade
no intervalo é vaidade
mas no final é só mais uma
ferramenta nas mãos (ou nas línguas)

apois
a língua
vamos usá-la
para não segui-la

a final


eu só vejo um motivo
para que isso ocorra
talvez alguém seja necessário
antes que a gente morra
e não estou certo disso
pois ainda estou vivo

datas, duetos marcados
sem surpresa
futuro moldado numa beleza
que põe a mesa
para a maior parte
('cause them love is apart)

criticar é inevitável
deve me incomodar um pouco
todo esse sofrimento louco
que não leva a lugar nenhum

estarei talvez a 30 a me olhar hoje
como hoje me olho a 13

...
mas
deve haver explicação
para esse comportamento suburbano
desumano e viral
a vida e as pessoas passam,
afinal

segunda-feira, 3 de junho de 2013

closer

foi a brisa do mar
carregada
jazida forjada
quero ser morada em ti

cabelos sóis
de lábios púrpura
escarlate chama
escala-te em minh'alma
e exclama!

timidez, coisa de loser
sinto que já estou perdido
cada vez mais recluso
and closer, closer, closer...

domingo, 2 de junho de 2013

avocado

pouca lei e muito crime
se aí não houver maldade
é tudo mal da pouca idade
os escapes, mentes selvagens

sazonal, invocado 'avocado'
sentimento marginal 
plenamente qualificado
quando ante as suas margens

um versinho de desamor
(carta, texto ou bilhetinho)
afetos escritos a punho
carregados de carinho
neste rondel, para abrir junho

esforço

as coisas acontecem
você não sabe o seu lugar
você só agradece
por estar aí

ou você reclama
por estar ou não estar

esforço, doce tempero
o destino é o feijão
que sem gosto é meeiro
e no sabor come com as mãos

dê um rolê

falar não é privilégio
ouvir não é sacrilégio

'enquanto eles se batem
dê um rolê'

migalha

vou assim
vivendo de migalha
achando os tesouros
sem ter que procurar

simplesmente não me faz
sentido ter com o que me preocupar

as horas passam claras
pra minha mente planar anil
embalando canções mil
e ressuscitando horas raras

vou assim
morrendo de fartura
buscando vida candura
nas imensidões da beira-mar

hemisfério


as pessoas
são
mistério
nesse
mundo
monastério
eu então
revertério
sendo sol
em plano sério