terça-feira, 25 de junho de 2013

Ágora

numa visão astral de mim
eu sou Narciso/Agostinho;
disseco um processo diariamente
de síntese sensorial e sinéstese sentimental

é um processo anencéfalo:
viro corpo de Ícaro
em alma de dédalo

observo à minha volta
pessoas e realidades
paralelas à minha
resumidas e expandidas
aos seus problemas e suas origens

eu e o destino somos velhos chapas
os melhores na arte do recomeço
conhecemos-nos muito bem sem nos ver
convivendo sob mútuos e múltiplos tapas
e entre beijos que não me esqueço

ele sabe do meu zelo
conhece minha história
sabe que quem precisa demais
enxerga de menos
e a essas pessoas, coitadas
eu não posso dar um óculos
pelo menos não agora

porque agora eu vivo Ágora

parece esquisito,
mas é só uma defesa:
contra toda uma tristeza
se faz presente um requisito:

- tem que ser caso
- tem que ser acaso
(caso não seja
nem casa)

- tem que rir da minha cara
- sorrir na minha cara
uma beleza que se dispara
nos dentes, felinos

- tem que desmarcar
- perder cinema
- rasgar poema
e me beijar

mas também tem que ter prazo
pra não tão cedo terminar

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