quinta-feira, 5 de junho de 2014

anfíbio







eu não acho que o destino
seja a mão que escreve o texto
mas definitivamente
ele desenhou as linhas
por onde escreverei
e se antes eu estudava caligrafia
no livro de filosofia
agora faço feitiçaria
e desenho também

há muito o que viver
vou correndo como anfíbio saído do mar
da costa vislumbro a doce brisa que me toca
que me convida a sair da toca
e me provoca
a desbravar profundo
horizonte adentro
o mundo

há muito a conhecer
tenho pernas fortes
mas a minha mente ainda é mole
e embora eu aproveite a situação para moldá-la
invejo em parte essa cura dos velhos
com suas dores cristalizadas
belas
vitrais
infelizes claro,
aqueles que não toleram os deslizes;

ah, os que aceitam as imperfeições
estes enruguecem felizes
estes enriquecem-se em cicatrizes
a fim de não sangrar mais

é desta cria que quero fazer parte
a cria da arte
tenho que sentir mesmo, pra lembrar destes ventos
nos dias em que eu tiver os meus passos lentos

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