quarta-feira, 18 de junho de 2014

sal





eu entrei numa obra do Picasso
um quadro cubista
de nome "conquista"

na tela duas faces estáticas
enquando um córrego de pensamentos ecoa
entre os olhos falantes
as bocas o acompanham por hora
mas o silêncio é predominante
-

você percebe o meu tapa-olho
e me pergunta se eu não tenho medo
de limitar minha visão
ou se agora eu tenho a maldição do David Bowie
ou se ainda tenho um coração

então eu te mostro
estendo a mão
e você vê um músculo intacto
salgado, diante do mar em nós
e assim ele estará pra sempre
imune às bactérias do ambiente
mas vivo e quente por dentro
quando estivermos sós

num canto, um canto
talvez você seja uma sereia;
em outros tempos desejei que você fosse vampira
pra me sugar o pescoço
e me levar pro seu lado

mas agora que sei nadar
enfie uma faca no meu peito
e me faça sangrar além do sal
me faça afundar

pra colorir de vermelho
o azul do seu cabelo
e matar de inveja os tubarões;
dando pistas do amor
escondidos nos xis
como baús em nossos corações

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