terça-feira, 29 de julho de 2014

egoísmo







vou vivendo como
se o passado fosse rascunho
do presente ou do futuro
eu, mouribundo escritor
apontando pros cantos
com a minha pena na mão
digo, sem pena

são 12:00 dessa nublada cidade
quando a mim se apresenta
uma distante face
perdida no passado
olho nos olhos dela
e me vejo

porém não era o mesmo
que vejo quando me encontro com o espelho
dessa vez, havia outro ali
e comecei a contar as rugas
novesfora, 2 sobram
sei que sou eu há alguns anos

e começo a dialogar não com ela
mas comigo
o que fazia eu ali diante de mim mesmo
após tantos anos?

eis que responde o mancebo:

a ti foi dada a dádiva
de retirar o véu do futuro
soprar a poeira do passado
                        [ dentre outras coisas
você tem controle daquilo que vê
daquilo que sente, daquilo que faz
você manuseia as engrenagens do destino
e eu te dei esse presente

e os lábios se moviam, ela falava comigo
mas eu não conseguia me desprender desse eu amigo
e pensei comigo mesmo se não era egoísmo;
bom, seria se fosse em mim,
mas este eu habita nela:
que moça egoísta!

despedidas feitas,
deixo a cargo dele sanar as dúvidas
nunca fui de confiar muito nos outros
mas confio nos outros que existem em mim

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