segunda-feira, 7 de julho de 2014

glimpse






num piscar de olhos
andando durante o dia
mudo como se as coisas fossem tão simples
como se não tivessem valor
eu não quero mais sentir
e quando penso que não viveria sem algo
pisco os olhos e voilà, já não me faz tão sentido

mas aí pisco novamente
e vejo tudo de novo em mim
eu ainda não decidi
se isso me sufoca ou me liberta
mas o fato é que é mais tranquilo
de viver
assim

tão difícil quanto o curso de medicina
na vida você aprende a conter hemorragias
e aí você entende o porquê de médico
não sentir medo de sangue

já não sinto passado
já não sinto futuro
o presente manifesta-se como poste
na madrugada da minha vida
onde o restante está escuro

o peso que antes eu carregava
agora está no chão
mas me responda, asfalto
levou também meu coração?

será esse desconforto necessário
para o sentimento?
dói tanto assim no Chico Buarque?
seria ele hoje como eu,
um simulacro da realidade;
sargento aposentado de guerra
que queria ter uma bomba?

código morse
já não sinto, eu sinto muito
olho a olho criptografado
numa senha confiada à convivência
seguros, conectados
seguimos atados
sem esperança
mas abraçados

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