domingo, 13 de julho de 2014

não ligo







idade média, tudo era fogo
pouco motivo e já se queimava;
pra percebemos depois
que dos sentimentos medievais
pouco levamos além das cinzas

na revolução industrial já não há tanto calor
as cinzas sobem ao ar
e agora em neblina te dificultam de respirar
de enxergar o que há à frente
daí: você lâmpada

e as coisas se clareiam
a luz, chamada de artificial
me parece bem natural
se eu entender que sou eu que ligo;

nem todos os pontos são claros
e de poste em poste
você fica insatisfeito
e decide não mais ligar

logo entende que não ligar é um grande passo
o seu olho se acostuma com a neblina
e o seu pulmão cria resistência suficiente
pra correr sem cansar
o ambiente bucólico é até aconchegante agora
dois casacos no peito e você está pronto pra guerra

é quando você percebe finalmente a razão
dos envolvidos com arte
e sua reclusão:

de 'não ligo' em 'não ligo'
você apaga;
acende uma vela pra disfarçar
como num sinal poético
você deflagra

                  [   que não num curto espaço de tempo

com algum curto circuito
quem sabe você até pode queimar

sem juras, sem juros,
eu não ligo, ninguém liga;
menos calor, mais seguro
e mais puro
no escuro

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