quarta-feira, 9 de julho de 2014

ofício






a manhã fria me bate
me acorda no grito
eu a imito
do jeito que dá
do jeito que sou
e daí me permito
esquentar um pouco
com o café como desculpa

a mente inquieta
a solitude acompanhada
na solitude do meu velho
e umas risadas tímidas
'desjejuam' o amor contido
por anos e anos
nos nossos planos

eu não estou livre da maldição
é mal de família
não ser de bem
             [ no bom sentido

fico pensando se sou como eles
se guardo aquele cansaço no olhar aqui adormecido
nele tão latente,
e vívido como se fosse criança;
então num flash o enxergo na infância
talvez eu como seu pai
e vamos invertendo os papéis
evitando os assuntos cruéis
e falando as verdades numa aula mútua
- tão mais importantes são nossos laços
                                                       [ fiéis

nós compartilhamos o sangue
definitivamente
e a dor que corre em suas veias
me faz revirar ao dormir
ah, se eu pudesse
enfiar-me em seu corpo
pra convidá-la a sair

entendo agora sua função
quando enxergo o seu papel
escrito no tempo à aquarela de lágrimas
colorido nos sorrisos
das palavras descuidadas
e dos erros precisos
desbravando um caminho novo
na história, expandindo a memória
ainda que esse exemplo
seja um sacrifício

sem dúvidas
ser mãe é uma dádiva
                     [ ou pena

ser pai é um ofício
difícil

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