sexta-feira, 15 de agosto de 2014

pólen







penso se somos nós mesmos
perdidos no AP DeLorean
onde eu volto e avanço no tempo
onde eu volto e avanço contigo;
pensando alto e falando besteira
fingindo que não estou tão ali

lençol tatame, janelas abertas
eu me perco em suas cobertas
tentando me esconder de você;
trocamos sorrisos flores
enquanto rimos de buquês

destilando a dor pra formular antídotos
capturando um passado cobra
como botânicos num jardim ferido
pela chuva e coberto de lama até as bordas

só abraços são sóis; nós
somos dois; secando o chão
sem rodo e sem rodeios
vamos pisando mais firmes
até esquecermos os freios

pra florecer sem medo
e não precisarmos de cordas
descermos de rapel
ou bungee jump
aos nossos pés;

pra destruirmos o teatro
transformar a tragédia em comédia
ao gosto do dia;
invertermos de papéis
mergulharmos na colméia
que são os nossos braços
                 [  sem achar tudo meloso
                 [  pra demorar de enjoar
desenhar o dia
com os nossos traços

formar um atlas
dos nossos planetas
pra não nos confudirmos
ao aterrissar;
enviar uma nave ao teu ouvido
pra te dizer com todas as letras
aquilo que nos une sem hesitar

- acoplar um módulo
pra aguçar o sentido;
- dividir o almoço;
- brincar de marcar teu pescoço
e deixar apenas um esboço;
- esquecer da vida nas gotas que caem;

eu morreria de dúvida
se tivesse que escolher um momento
dentre estes pra eternidade esticar;

quero te sentir como vento
rezando pra que ele se vá lento;
ou se torne tornado
numa frente de ar quente;
você torna a minha vida
um doce tormento...
carregando contigo o pólen
que colore o meu peito
antes de ti tão cinzento...
se continuar,
mudará meu horizonte
ano após ano.
a minha vida é só primavera
quando digo
que

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