quinta-feira, 6 de novembro de 2014

a minha melhor versão






amigos, amigos
somos os mesmos de sempre
não adianta esconder
e toda vez que penso que não sou mais
que não somos
que sumimos
o acaso nos permite
que apareçamos num espasmo de sinceridade
contra toda essa manobra da vida
que nos transforma
e nos deforma
em outros
que não a versão mais feliz de nós

aos meus queridos amigos
                    [ dos tempos queridos
os que vem e os que vão,
a todos vocês
a minha melhor versão;
e ao mínimo sintoma de frieza
o meu verão

terça-feira, 4 de novembro de 2014

mofo





eu abro um dicionário
pra buscar seu significado
e na minha biblioteca
busco o seu livro pra abrir;
pra em um momento de silêncio estudá-lo
e seu assunto dominar
                                     [ pra não querer dominá-la nunca
eu passo as páginas com cuidado
e tento não estragar

de capa dura e bom estado
best-seller de um autor consagrado
não ganharia um Pulitzer, aliás
um Nobel, uma vaga na ABL

as pessoas já não compram os livros
pelas palavras, pelas ideias
mas pelo cheiro de novo
pela ilustração no verso
a arte na literatura
nessas grandes livrarias
é apenas um grande comércio

e pensar nesses velhos, entediados
que não conseguem acordar num domingo
e ir na banca sem pegar nenhum;
patético.

eu me recuso e vou ao sebo
buscar entre os empoeirados
um Neruda apaixonado
ou um Bukowski amargurado
os ensinamentos melhores eu recebo
e o resto é apenas diversão

estou são
desses livros coloridos
e das páginas em couché;
de agora em diante
jornal, revista, eu não quero mais
nas páginas vazias, nada de propaganda
e no mofo de belos versos
paz