quarta-feira, 22 de abril de 2015

cotidiano






a vida se faz do micro pro macro
do embrião ao nascituro
              [ do tijolo ao muro
do bom dia ao como vai
dos pequenos para os grandes momentos

apesar de tudo que as novelas
andam dizendo por aí
não são os gran finales
que trazem luz ao show
eles nada mais são que consequência
do enredo

são os torrões de açúcar do dia-a-dia
que vão torrando nosso azedo
como aqueles olhos que te acordam
ao sentir tua falta logo cedo
que te fazem esquecer o café
e te isolam
do mundo

são os pequenos afagos do cotidiano
que vão criando
                               [ que vão s+o+m+a+n+d+o

o que é bonito
e profundo

mas se eles não vem
tudo vai
               c
               a
               i
               n
               d
               o
               tudo vai sub
                                     traindo

domingo, 5 de abril de 2015

mur(r)o






 eu vi a face feia da vida
             [ eu quis a face feia da vida
e eu aprendi a conviver com ela
como o cão andarilho da trilha
que vive com o carrapato nas costas
nem dói mais
fazem parte de mim
as espinhas da mentira

de saber dos seres sozinhos
de tomar os mesmos caminhos
da faculdade pro trabalho e casa
não experimentar aquele
onde o bueiro está solto
mas tem a casa mais bonita do bairro
de fachada não tão majestosa
porém de aconchegante tapete

são todas escolhas que eu mesmo fiz
e que um outro eu ri de mim mesmo
pra aprender na marra as consequências
pra relevar as eloquências
    [ revelar
da alma e do corpo
pra gritar menos
pra ser menos
e assim poder ser mais
aos poucos

às vezes acho que tô verde
em outras me acho maduro;
e antes que eu fique duro
que baste da vida este murro
pra vida à calçada pular
pululante as alegrias:
sair de cima do muro