domingo, 5 de abril de 2015

mur(r)o






 eu vi a face feia da vida
             [ eu quis a face feia da vida
e eu aprendi a conviver com ela
como o cão andarilho da trilha
que vive com o carrapato nas costas
nem dói mais
fazem parte de mim
as espinhas da mentira

de saber dos seres sozinhos
de tomar os mesmos caminhos
da faculdade pro trabalho e casa
não experimentar aquele
onde o bueiro está solto
mas tem a casa mais bonita do bairro
de fachada não tão majestosa
porém de aconchegante tapete

são todas escolhas que eu mesmo fiz
e que um outro eu ri de mim mesmo
pra aprender na marra as consequências
pra relevar as eloquências
    [ revelar
da alma e do corpo
pra gritar menos
pra ser menos
e assim poder ser mais
aos poucos

às vezes acho que tô verde
em outras me acho maduro;
e antes que eu fique duro
que baste da vida este murro
pra vida à calçada pular
pululante as alegrias:
sair de cima do muro

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