quarta-feira, 5 de agosto de 2015

tesouro





essa história é antiga
eu já li e reli e reli e reli
já sinto o tédio no "oi"
tão previsível quanto a chuva e seu cheiro
tão previsível quanto o sol depois da chuva
e é essa mesma história de janeiro a janeiro
eu a banho maria
à escolha do freguês
eu nunca por inteiro

não tem previsão do tempo
não há sábado de praia
não há tempo pra arrumação
eu sou o filho bastardo do pai ocupado
da guarda conjunta nos fins de semana

e eu não vejo a hora de crescer
de morar sozinho
e ter a possibilidade do meu hackerspace
do meu laboratório pessoal
do meu espaço justo e implacável
onde eu me sinta vingado
e bandido
um lugar onde eu seja minha primeira opção
sincero comigo mesmo
um lugar onde eu finalmente aprenda
a ser vil e vazio

o meu berço da noite
com acessórios de guerrilha
um pincel, uma solda, um lápis
um violão
com um público seleto
que pisca suavemente
e analisa atenciosamente
a minha canção

onde eu possa repetir os erros
aos quais fui acometido
um lugar para as visitas dos restos amorosos alheios
o meu verdadeiro tesouro
escondido

Nenhum comentário:

Postar um comentário