quarta-feira, 14 de outubro de 2015

preço






eu acordo com o peito afogado
uma agonia que já me é comum
consequente do alvorecer;
é como se eu nascesse a cada dia.

há um preço a se pagar
por viver sem certezas
e o meu preço é esse;
os sonhos são hostis
pessimistas e violentos
e eu preciso apalpar as paredes
pra perceber que a realidade não é tão flexível
que as coisas estarão aqui amanhã

cada dia nasce como uma vitória
e eu me digladio à noite
com o meu futuro

vive dentro de mim a galinha dos ovos de ouro
padecendo de inanição
e é por esse papo que temos à noite
que o dela se enche
e o meu amanhece vazio

mas vamos lá,
um café e estou novo
tudo isso dura dez minutos
que é o tempo de transição
da realidade alternativa;
nada de ruim realmente sobrevive
a um bom café