quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

brenda




quando você apareceu a primeira vez
no mesmo local em que estaríamos um ano após
eu te enxerguei de relance, canto de olho
era um dejavù
não era quem eu conheceria

vejo as coisas sem a superficialidade natural do cotidiano
um pescador penetrando o rio com o anzol da realidade
e lá ao fundo, próximo a alguns seres que eu já havia conhecido
eu ouvi falar do seu canto e do seu brilho;
desde a sua confirmação, eu venho dando mais atenção
a essas visões
-
sorriso branco, olho à meia altura
braços jogados num andar de passos curtos
que fazem aquela avenida cada vez mais sua
uma presença imponente diante dos demais
ainda que especialmente branda

é quase impossível estar de bobeira
e não gastar alguns segundos mirando seu rosto
blasé, Audrey Hepburn
Frida
misteriosa Cleópatra
fazendo a egípcia

a despreocupação com o ambiente que circunda
é quase desprezo, não fosse a doçura
dá a ideia que o mundo está à sua disposição
e eu não duvido disso;
você é filha da gentileza
e eu percebi sua realeza
no exato momento em que você entrou no mar

a visão de ti, alva tez
disputando com a lua a nudez
cortando as ondas sem quebrar
mergulhando como se fosse tudo seu
eu, a me preocupar, em vão:
aquele lugar parecia ser o seu coração

com a sinceridade inevitável de quem lhe dirige o olho:

naquele momento aquilo era a coisa mais bonita que já vi.
queria eu ser Monet ou Van Gogh
pra chapar na tela momento tão sutil
o nome desse quadro seria “Yemanjá”
pintado apenas em branco e anil

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