quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

kaos





era um evento importante
eu me libertara há pouco de uma peça
a atriz principal estava lá
lhe observando atentamente
enquanto você pairava distante
com um cigarro irônico
me contando as impressões da plateia
e suas últimas missões

o olhar fotográfico, a visão jornalística
fazem de você a manchete invisível
capa de jornal de uma tiragem só
única, exclusiva
demasiadamente rica
para a multidão comum

fazia tempo que não a via
de ti, eventualmente perguntava
à dona dos papos de Ibicaraí.
sabe, aquela história do destino que falo
e maktub, você esteve sempre ali.
no caderno 1 do ano que vem
uma enviada espacial do futuro

grandiosa, seu espírito reluz
age como Andrômeda balançando seu vestido
em sua dança cigana a seduzir a Via Láctea;
compasso romântico, terno e relaxado
para apaziguar no seu amor toda abordagem prática
você tem o terceiro olho, monamour
o mesmo olho caótico que habita o centro de cada galáxia
o buraco negro que suga cada trecho de luz para si
a força maior que as estrelas buscam
e orbitam naturalmente, sem esforço
graças à lei de gravitação universal
                          [  ou porque simplesmente pagam pau

você é o ying-yang em degradê
a última tendência demodê
meu amor de irmão à moda antiga
o beijo secreto da amiga
que rola sem muito porquê

nas manhãs que acordo insoso
seu bom dia tem sido o instantâneo remédio
o analgésico da rotina
a dipirona contra o tédio;

as madrugadas tem sido ensolaradas
mas a filosofia é o nosso boné;
a sua insustentável leveza de ser
será uma lenda contada
ficará pra sempre marcada
nas ruas de Itacaré

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