terça-feira, 8 de novembro de 2016

ironia

sempre é dia de ironia no meu coração





meu pai me contou uma vez
uma história da sua juventude
e antigamente quando criança, era tão distante
depois achei irrelevante
mas hoje, a canção da Elis me esmurra quando escuto

eu sei que existe algueḿ por aí
hora ou outra me deparo assim
graus de dificuldade singulares
cada uma à sua maneira
continuo com a mesma habilidade
de dizer verdades falando besteira
mas no fim, estou sempre só
com os meus amigos, mas na intimidade, só

a minha vida se apossou de uma irônica apatia
dou risada de tudo, nada mais me entristece
a tristeza virou rotina, logo não era mais tristeza
logo era realidade, que entrou em mim como um virus
um oitavo passageiro na minha nave
a apatia tem sido companheira fiel
nesses tempos difíceis

ainda trago calor, tenho certeza
mas me comporto como uma estrela vermelha anã
com um calor muito sutil
um brilho muito sutil
algo pra se ver de perto
pra quem está em órbita

e eu tenho medo
de arrastar alguém com a minha gravidade
as coisas comigo sempre fazem tanto sentido
tanta intensidade
cada pequeno momento é uma eternidade
mas eu não sei se é justo
trazer a alegria a alguém
para depois partir;
a realidade pra mim e só.
apenas para mim a efemeridade.
para a moça que em mim aposta
o carinho breve, o adeus doído
enfim, a sua liberdade